sábado, 30 de janeiro de 2010

Veja - Você sempre foi boa aluna?
Daniela - Sempre. A vida inteira fui perfeccionista. Quando tirava uma nota diferente de 10, tomava aquilo como um fracasso. Ao chegar da escola, me enfiava nos livros a tarde toda. Estudava mais que meus colegas. Adoro estudar. Adoro línguas estrangeiras. Falo inglês, francês e alemão.

Veja - Os estudos não a impediam de se divertir, de namorar?
Daniela - Não sou bitolada. Sempre levei uma vida normal. Jogo tênis de mesa, danço tango, toco piano e leio. Adoro a Clarice Lispector, autora que me acalma quando não consigo resolver uma equação matemática. Mais tarde fui saber que meus interesses paralelos e hobbies ajudaram na carreira. O mercado valoriza a diversidade.

Veja - Qual foi sua maior dificuldade no exterior?
Daniela - Na área profissional, sabia que minha base era sólida. Sempre estudei em bons colégios particulares e vim de uma universidade excelente no Brasil. Quanto mais você convive com bons cérebros, melhor fica o seu próprio. Mas, do ponto de vista pessoal, vivia com pouco dinheiro, sentia muito frio no inverno e passava por momentos de profunda solidão longe da família. Apesar dos sacrifícios, banquei a escolha.
Daniela em sua formatura na Universidade Stanford, em junho de 2002

Veja - Você disputou a vaga do MIT com outros candidatos bem preparados. O que fez a diferença?
Daniela - Consegui controlar os nervos e fui muito segura para a entrevista. Pensei assim: "As luzes estão na minha direção. Vou aproveitar a chance de dizer o que penso para um monte de gente interessante". Até me diverti. Tratei as pessoas que me entrevistavam como futuros colegas de trabalho. Vendi a idéia, eles compraram. E aqui estou no MIT.

Veja - Seu plano era seguir a carreira acadêmica?
Daniela - Fiz engenharia da computação para trabalhar numa grande empresa. Apesar de gostar de matemática, não queria ser professora. Só que acabei me apaixonando pelo mundo acadêmico e não tenho intenção de mudar.

Veja - Você pensa em voltar a viver no Brasil?
Daniela - No frio fico pensando no calor humano dos brasileiros. Morro de saudade, até hoje sofro, mas vou ficar por uma decisão profissional. Estou entre os melhores pesquisadores do mundo e isso me estimula muito. Num lugar como o MIT você tem espaço para lidar com temas ambiciosos e mais arriscados. E só consegue brilhar quem corre riscos.

Veja - Que conselho você daria aos mais jovens?
Daniela - Estude muito, leia bastante, tenha um hobby, trace objetivos ambiciosos e olhe alguns anos a sua frente.

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